Francisco Gilmar Martins – Artesanato de Mucambo-CE

O segundo colocado no 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Comunitário é:

Francisco Gilmar Martins de Souza
Empreendimento: F.G.M DE SOUZA — Artesanato
Cidade: Mucambo — CE

Todo mundo diz que o Brasil não tem super-heróis, mas a Aliança Empreendedora conhece vários e um deles, com certeza, é Francisco Gilmar Martins de Souza, um cearense de 30 anos nascido em Mucambo cuja última de várias façanhas foi conseguir o segundo lugar no 1º Prêmio Aliança de Empreendedorismo Cumunitário, patrocinado pelo Instituto Camargo Corrêa e Itaipu Binacional e entregue na terça-feira, dia 24 de maio, em cerimônia da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP).

Francisco fala bem e, quando agradeceu o prêmio, arrancou risadas e encantou a platéia de empresários convidados para o evento “Fazer Para Mudar — Novas perspectivas para a responsabilidade social corporativa através do apoio ao empreendedorismo comunitário”.

Mas, afinal, o que esse cearense baixinho tanto fez para ser tão aplaudido e comparado a um super-herói?

Bom, primeiro ele transformou o trabalho de artesanato que era o sustento da sua família desde o tempo dos avós e bisavós em um negócio organizado e rentável. Depois, ele passou a ensinar o que sabia para gerar mais empregos na cidade onde mora e em seguida em todo o Ceará. Mais tarde, passou a fazer isso fora do Brasil, ministrando cursos em Cabo Verde, na África.

“Desde criança eu via minha família trabalhando com a tecelagem e meu sonho era ter um dia meu próprio negócio”, lembra Francisco. Ele conta que, desde a adolescência, participava de cursos realizados pelo Sebrae na única fábrica de tecelagem que tinha em Mocambo e que fabricava apenas redes de três panos. “Com 17 anos de idade, comecei a trabalhar nessa fábrica como enchedor de espula, mas ganhava pouco e logo vi que precisava fazer alguma coisa para mudar minha vida se não quisesse tomar o caminho de tantos nordestinos, que é arrumar uma malinha e pegar o primeiro ônibus para São Paulo.”

Francisco foi ao sítio do avô, pegou algumas palhas de bananeira e taliscas de coqueiro e pediu à mãe que colocasse aquilo no tear, de modo a criar um tipo de jogo americano. “Assim foram feitas as minhas duas primeiras peças artesanais em fibras naturais, que meu pai levou para o Centro de Artesanato do Ceará, o Ceart.”

Dali em diante as coisas foram acontecendo. A primeira encomenda, de 300 peças feitas de palha de babaneira e taliscas de coqueiro para entrega em 30 dias. Em seguida, ele começou a treinar artesãs para fabricar os produtos e hoje, em Mocambo, são mais de 30 pessoas produzindo cerca de 25 modelos de jogos americanos e tapetes de fibras naturais. Mas esse trabalho também foi multiplicado com os cursos que Francisco fez pelo Ceará e hoje mais de quinze cidades estão fazendo artesanato de boa qualidade de modo rentável.

“Nossa única fonte de renda era a tecelagem e a única saída, para quem queria progredir, era a rodoviária”, diz Francisco. “Agora, vejo a comunidade explorando uma nova fonte de trabalho e renda, ao mesmo tempo em que não deixa a nossa cultura morrer.”

Texto de Sonia Stabile
Blog Fazer para Mudar: http://www.fazerparamudar.org.br/2011/05/26/os-tres-vencedores-do-1%C2%BA-premio-alianca-de-empreendedorismo-comunitario-receberam-premio-e-reconhecimento-no-evento-fazer-para-mudar/

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